Aconchego

Quão belo é o teu aconchego…
Que vem dos nossos momentos,
Dos nossos sentimentos,
Que partilhamos sem pensar no tempo
E que o vento não leva nem desfaz.
Ah o teu aconchego só me transmite paz…

Contigo o tempo voa
E como me sinto à toa
Quando o tento parar.
Já o teu aconchego
Me congela o ego
E me sinto a pairar.

O teu abraço é a ternura do meu dia
Que cravado no meu peito
Me alegra com alegria.
No teu colo encontro a felicidade
E amor de verdade.

No teu aconchego encontrei
Tudo o que sempre procurei.
Obrigada por me colorires a vida
Pois esta é uma viagem de ida
E eu quero seguir a teu lado.

Patrícia Gonçalves

Mãe natureza

Mãe natureza,
Que traz chuva e vento,
Como os nossos suspiros
De desalento.
Mãe natureza,
Que traz sol,
Para vermos brilhar
As águas do mar,
Para o girassol
Ver girar.
Tantos exemplos posso eu buscar,
Dos momentos em que a natureza
Parece connosco comunicar.

Como dizer
Que todo mundo tem seus momentos,
Suas luas
E o seu tempo.
Uma birra
Ou briga
Faz na nossa cabeça
Uma tempestade,
Mas com um sorriso
E/ou abraço
Transforma o nó em laço.
Depois do nosso coração
A tempestade ter agitado
O seu bater
É valorizado
E lembrar daquele ditado
“Não há bem que sempre dure,
Nem mal que nunca acabe”.

Vê a chuva a cair
Como se tua alma lavasse.
Sente o sol,
E o teu corpo aquecer
Para te lembrar,
E nunca esquecer,
De quem um dia te fez sorrir
Gostavas que te abraçasse.

Patrícia Gonçalves

Andorinha

Voa andorinha
Voa,
Essa e a imagem que muitos de ti têm
E do barulho ensurdecedor,
E ao mesmo tempo encantador
que fazes,
Mas há tanto que ninguém vê.

Andorinha
Que voas atrás da primavera,
Batalhadora desde o primeiro voou
Que tanto te custou
Tanta coragem precisaste
E força usaste.

Andorinha
aí andorinha,
Que de tanto voar,
Parece que andar tua cabeça no ar.
Muito lutas-te para cá estares
Contra ventos e adversários
Em teu ninho e pelos ares.

Andorinha
Que do ninho voou,
Pelas cidades
E campos sobrevoou.
A travar desafios e amizades
Para um dia uma família formar,
Seu cantinho conquistar
E por vilas e aldeias
Também cantar.

Andorinha que voas sob cada flor
Misturas o teu preto e branco
Com tanta cor,
Que nossa vida vais pintando.
Numa estação que nos trás
A chuva, o sol e vento,
Essa mistura tela de cores
Vai o nosso dia alegrando.

O tempo vai passando,
Com o teu cantar
E essa palete de cores,
Nos vais animando
E no nosso rosto
Um sorriso desenhando.

Patrícia Gonçalves

Depressão

Nos outros
Vejo-a
E até a sinto.
Revejo-me
Em partes da minha vida.
É saber que estou inteira
E ao mesmo tempo partida.
A mente
Criou cordas que me prendem.
As palavras não saem,
Só fragmentos do que está cá dentro,
Sujeito a uma errada interpretação.
As peças encaixam,
mas a ordem está errada.
Sei que tudo passa,
E no banho,
A água leva parte do que me carrega.
Quero estar bem,
Sorrir
E ser feliz.

É de noite,
E numa conversa
Digo o que entendo por depressão.

“Sacana,
De tantas caras,
sorrisos
E até olhares,
Que entre quatro pareces
Se desfazem em água
Soltando a dor que vai no peito”

Será que falo na primeira
Ou terceira pessoa do singular?
Já não sei o pensar…
Na vida dei tropeções,
Também alguns encontrões.
Cai e segui em frente,
Será que já me levantei,
Ergui-me e tombei?

O corpo,
Está moído e cansado,
Mesmo sem nada fazer.
Fecho os olhos e foco-me,
“Ergue-te uma e outra vez
Até os cordeiros se tornarem leões”
Se cai,
Vou-me reerguer.
Em mim tenho o amigo,
Que me ajuda nas qualidades.
Em mim tenho o inimigo,
Que me põe para baixo…
Ora abaixo-me,
Calço-me,
E sigo…
Ao ritmo do vento
E mesmo doendo,
Sigo aprendendo,
E sorrindo ao espelho.
Vendo-me a cara sorrindo,
Talvez faça a alma sorrir.

De certo
Vou descobrindo,
Sorrisos em alguém…
E nesses minha alma sorri.

Nuvem

Nuvem que tapa o sol que me ilumina
Que molha a roupa que me aquece,
Que esconde as lágrimas que dos meus olhos caem
E o coração entristece.
Que venha música
E alguém que toque à campainha,
Com amizade e alegria
Para que a alma sorria.
Pois o tempo cinzento
É triste com chuva e com vento.
O que sabe bem num dia chuvoso
É ouvir uma música debaixo de uma manta quentinha.

Patrícia Grácio Gonçalves